sexta-feira, 8 de novembro de 2024

O TESOURO PERDIDO DO LAGO DAS PACAS




Um amigo do Seu Lucas, o Aderbau, tinha herdado de uma tia, falecida recentemente, um sítio em Jundiaí. Fazia uns 10 anos que ele não ia no sítio e pretendia passar o próximo feriado prolongado lá. Convidou Seu Lucas para ir também, com a família.

Quando Dona Lorena soube disso, ficou contente. Seria um feriadão diferente para ela, o marido e as crianças. Mas não seria muito interessante levar os pequenos- os gêmeos, o bebê Antonio e o Martim. 

-Eles não se divertirão tanto e eu tenho medo que eles sejam atacados por bichos e insetos que costuma ter em sítios- disse.

- São só dois dias. A gente vai no sábado e volta na segunda de manhã. Os pequenos podem ficar com a vovó e o vovô, tranquilizou Seu Lucas.

Ficou tudo combinado.No sábado, cedinho, partiram para Jundiaí. O colega do Seu Lucas já tinha ido na sexta-feira à noite e ia esperaria por eles no sítio.

Quando chegaram, ficaram deslumbrados com a beleza do lugar. Da estrada, podiam ver quase todo o sítio porque ele ficava em uma espécie de colina. A casa principal ficava lá no alto. Do lado dela, havia outra casa, menor, que era onde morava o zelador do sítio, o Seu Chico. Mais distante, do lado direito, um barracão de madeira e mais acima uma plantação de laranjas. E, o que mais chamou a atenção da Valentina, Tom, Rica e Nico: havia um belo lago mais embaixo.

- Puxa! Vai dar para a gente pescar!- disse Nico, entusiasmado.

Foram recebidos na casa principal pelo Seu Chico e pelo colega do Seu  Lucas. As crianças já queriam ir explorar o sítio. Mas Dona Lorena alertou:

- Ainda não. Vamos primeiro arrumar as coisas que trouxemos, se lavar. Depois, precisamos ser educados: nos apresentarmos às pessoas que estão nos recebendo, conversar um pouco com elas. Não é só chegar e sair correndo por aí. 

- Além disso, vocês não conhecem o sítio. Precisam ser acompanhados por um adulto. Então, as explorações só serão feitas depois do almoço, quando eu e sua mãe estivermos sem nada para fazer- completou Seu Lucas.

- Quanto a isso não se preocupem- disse Seu Chico. Depois do almoço, meu filho, o Chiquinho, que conhece tudo por aqui, vai estar em casa. Ele foi passar a manhã na casa da avó dele, aqui perto. É da idade das crianças e tenho certeza que elas preferirão a companhia dele do que de adultos.

- Combinado- disse Dona Lorena.


Depois do almoço, tudo arrumado, todo mundo descansado, apareceu o Chiquinho, filho do Seu Chico. Era um garoto de uns nove anos, com uma cara alegre e esperta.

Logo, ele mais os irmãos saíram pelo sítio. Nico insistia em ir primeiro até o lago. Concordaram. Ao se aproximarem da margem, viram uns bichos se mexendo no outro lado.

- São pacas. Tem bastante por aqui. Elas vivem na beira da água, onde fazem suas tocas.

Os irmãos nunca tinham visto uma paca ao vivo e quiseram logo ir até perto delas.

- Não adianta. Elas são muito ariscas- explicou Chiquinho. Quando a gente chegar do lado de lá, elas terão corrido para o lado de cá. Ou então, vão se enfiar nas tocas.

Decidiram, depois, ir para a plantação de laranjas.

-Os frutos estão maduros e tem tambem pés de mexirica. A gente pode pegar algumas- revelou Chiquinho.

Depois de percorrerem a plantação e pegaren mexiricas,que sairam chupando, foram para o barracão.

- Para que serve ele? perguntou Rica.

- Servia de garagem para o trator, que foi vendido quando o dono do sítio faleceu. Agora, virou depósito de muitas coisas.

- Podemos entrar nele?- peguntou Tom.

- Podemos,mas não mexam em nada. Meu pai não gosta.

Entraram no barracão. A porta era presa apenas por uma tranca de madeira, por fora. Fácil abrir.

Lá dentro estava cheio de tranqueiras. Ferramentas de se usar na roça, como enxadas, pas, foices; arreios e selas de cavalos, duas camas velhas, daquelas antigas, de mola; uma cadeira quebrada, um armário meio torto encostado na parede.

Rica abriu a porta do armário e ele tinha livros antigos, empoeirados; cadernos e revistas velhas.

Feita a visita ao galpão, decidiram voltar para a casa grande, pois era hora do almoço e o pessoal já devia estar procurando por eles. 

Antes de entrar na casa, Rica chamou Tom de lado.

- Veja o que achei naquele armário, dentro de um daqueles livros antigos.

E mostrou ao irmão uma folha de papel, amarelada pelo tempo, com alguns desenhos. Tom examinou-a e devolveu-a a Rica.

- E o que você acha que esses desenhos significam?

- Depois que a gente almoçar, no quarto, com mais calma eu te explico.

O papel trazia uma espécie de mapa do sítio. Em alguns pontos estavam escritos os nomes dos locais. Assim, havia um risco, com uma seta na ponta, que partia do local escrito "portão de entrada"e  ia até "casa grande". Dali, partia outra linha igual para onde estava escrito "galpão". Deste local, novo risco ia até o trecho identificado como "lago"onde  havia o desenho de um quadrado com a palavra "caixa da bomba" e um grande xis em cima dela.

- Então- disse Tom- você pode me explicar o que isso tudo quer dizer?

- Você não está vendo que isso pode ser um mapa do tesouro? De alguma riqueza escondida?

- E o que te levou a concluir isso?

- Bom, além de ser um papel muito velho, tem esse xis grande. Isso, nos mapas de tesouro, só pode significar o local onde deve ser escavado para encontrá-lo.  Que tal a gente escavar esse tesouro?

- Você está doido? E o que o amigo do papai vai achar disso? E o Seu Chico e, o que é pior, o papai e a mamãe? - respondeu Tom, sempre cauteloso.

- Ora, eles não precisam saber. Tenho um plano.

E Rica explicou seu plano: eles sairiam cedo, dizendonque iam pegar mexirica. Diriam aos pais que não precisavam que o Chiquinho os guiasse porque já conheciam o caminho. Lá na plantação, onde ninguém os podia ver, por causa das árvores, iriam até o galpão.

- Fazer o quê no galpão- perguntou Tom.

- Pegar ferramentas. Você não viu, lá, ontem, pas e enxadas? Depois a gente vai até o lago fazer as escavações.

Tom ficou de expicar o plano para Val e o Nico. 

No outro dia, bem cedo, logo depois do café, deram início ao combinado. Sairam em direção ao sítio mas, 10 minutos depois, com uma pá e uma enxada, estavam na margem do lago. 

- Está vendo aquela caixa de tijolo ali. Deve ser o lugar onde aparece escrito no mapa " caixa da bomba. É ali que tem o X. Vamos começar a cavar. E começaram: Tom, mais forte, cavocava com a enxada e Rica tirava o material que ele escavava com a pá. Val e Nico observavam e, conforme o combinado, ficavam na frente deles. Assim, se alguém os olhasse lá da casa grande, não veriam o que Tom e Rica estavam fazendo .

- Parece que bati em alguma coisa dura- disse Tom. Rica, então,  puxa a terra com a pa.

Quando Rica puxou, alguns objetos sairam junto com a terra fofa. Ele mexeu no material com a pa.

- Essas coisas duras parece que são ossos.

Ao ouvir isso, Val deu três passos para trás.

- Santo Deus! gritou.

Tom voltou a escavar e disse para Rica:

- Acho que aqui tem um esqueleto.

- MInha Nossa Senhora- gritou Val e saiu apressada em direção à casa grande. Nico atrás dela.

- Volta aqui, Val! gritou Tom.

- De jeito nenhum, respondeu ela. Vocês conhecem aquelas hisórias de piratas? Depois que enterravam o tesouro, matavam e enterravam junto um companheiro deles, que era para ficar uma maldição no lugar. Deve ter acontecido isso aqui. 

Na frente da casa grande, estavam Dona Lorena, Seu Lucas, Seu Chico e o Aderbau. Quando viram Val chegar correndo e meio assustada, com o Nico atrás dela, Dona Lorena procupou-se.

- O que foi que aconteceu?

- O Tom e o Rica acharam um esqueleto enterrado perto do lago- disse  Nico. 

- Ai, meu São José!- gritou Dona Lorena.

Todo mundo, então, saiu correndo para o lago.

Lá, encontraram Tom e Rica tranquilos.

- Que história é essa de esqueleto? - perguntou seu Lucas,que chegou na frente.

- Não é nada demais, papai-respondeu Tom. Parece ser o esqueleto de uma paca.

Seu Chico foi olhar e confirmou que era mesmo.

- Às vezes, uma paca velha morre dentro da toca e fica ali mesmo,enterrada.

- Mas que história é essa de ficarem cavando por aí? perguntou Seu Lucas , meio zangado.

- A gente estava procurando um tesouro- disse Nico, sempre rápido nas respostas.

- Mas quem lhes deu a idéia de que havia um tesouro aqui?

Aí, Rica não teve jeito senão mostrar o desenho. 

- Onde acharam isso? perguntou Seu Lucas.

- No barracão- respondeu Rica.

-Deixa eu ver- disse Seu Chico.

Lucas passou-lhe o papel. Quando o viu, Seu Chico começou a rir.

- Mas isso não é nenhum mapa de tesouro. É a planta da rede de água que instalaram aqui uns 10 anos atrás. Foi feita pelo meu antigo patrão. Esses riscos mostravam o lugar por onde deveriam passar os canos.

- Mas, e esse X em cima da palavra caixa da bomba? perguntou Rica.

- Não é um X. É que antigamente, a água que a gente usava era puxada da lagoa. Por isso, havia uma bomba de pressão aqui, nesta caixa de tijolos. Quando foi instalada a rede da rua, pela Prefeitura, não se usaria  mais a bomba. Esse risco queria dizer que não haveria mais necessidade da dela.

De volta para a casa grande, Tom e Rica eram os mais constrangidos com aquela mancada. Afinal, foram eles que apareceram com a história do tesouro perdido.

Chamaram  Nico e Val e os quatro fizeram um trato: ninguém contaria aquela história na escola. Senão o pessoal passaria um mês inteiro zombando deles. Trato feito, trato cumprido.


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