quinta-feira, 7 de novembro de 2024

O MISTÉRIO DO BONECO QUE SAIU CORRENDO





Quando chegaram na escola naquela quarta-feira, Tom, Rica, Valentina e Nico estranharam a movimentação em frente da cantina. Os alunos se juntavam ali, curiosos. Nico saiu correndo e logo voltou com notícias:

- A Dona Ambrosina teve alguma coisa ruim de novo e está sendo atendida pela irmã Sofia na cantina.

Dona Ambrosina era uma das faxineiras da escola, uma das mais antigas. Quinze dias antes, ela também se sentiu mal, a pressão subiu e precisou ter uma assistência rápida. Não foi coisa muito séria pois, após tomar um copo de água com açúcar, dado pela irmã Sofia, ela se acalmou.

Val foi na cantina ver melhor a situação e voltou, tranquilizando os irmãos;

- Ela já está bem. Precisou só de um copo de água com açúcar.

- Tomando tanta água com açucar, ela vai acabar ficando diuretica- disse Nico.

- Não é diuretica- corrigiu Val.É diabetica,pessoa que tem muito açucar no sangue.

Mas o que teria assustado D.Ambrosina agora? Da outra vez, ela disse que tinha visto um rato gigante na lata de lixo da cantina. Depois, o professor Olavo, de Ciências, explicou que, na verdade, ela tinha visto um saruê, uma espécie de gambá, que parece mesmo um rato, mas é muito maior.

" O saruê-explicou o professor- tem aparecido nas cidades porque estão acabando com as matas, onde eles vivem. Então, procuram comida nas latas de lixo das casas".

O professor disse que eles geralmente aparecem em casas que ficam perto de terrenos baldios, onde fazem suas tocas, de preferência debaixo das raízes das árvores ou arbustos.Explicou que, apesar da aparência feia, os saruês não atacam ninguém e são protegidos , como animais silvestres, pelas autoridades do Meio Ambiente.

E o que será que assustou D.Ambrosina agora?- perguntaram-se os irmãos. Valentina aproximou-se de um grupo de três colegas de sua classe e perguntou. E voltou meio espantada:

- Dona Ambrosina  disse que viu o boneco do Pinóquio sair correndo da sala de artes.

- Bom, se na primeira vez seu susto teve uma explicação, agora parece coisa de gente maluca-comentou Tom.

- Isso está mais me parecendo um mistério para ser resovido. Vamos falar com Dona Ambrosina", disse Rica, já sentindo a coceira detetivesca..

Entraram na cantina e dirigiram-se à mesa onde a faxineira conversava, mais calma, com a irmã Sofia. Ela gostava muito dos irmãos. Dizia que eles eram bonzinhos, educados, sempre a tratavam bem. 

- A senhora podia contar para a gente o que exatament aconteceu? perguntou Rica.

- Já repeti essa história umas cinco vezes aqui para a irmã. Assim que cheguei, cedinho, fui fazer a arrumação na sala de artes, que amanhece sempre toda bagunçada. Quando entrei e me aproximei do palco do teatrinho de fantoches, o boneco do Pinóquio passou correndo por mim.

Nico já ia abrindo um sorriso mas Val, que estava do lado  dele,imediatamente, deu-lhe um beliscão, que o conteve .Rica perguntou:

- E ele saiu de onde?

- Saiu daquela bacia de plástico, onde ficam todos os bonecos.

- Não estaria algum dos alunos, escondido,  puxando o boneco pelos fios, só para assustar a senhora?

- Não. Eu sempre sou a primeira pessoa a abrir a sala de artes e nenhum aluno tem as chaves. E esses bonecos não têm barbantes proque não são marionetes, são fantoches . Nos fantoches, é  preciso enfiar a mão dentro deles para movimentar as cabeças e os braços.

- E a senhora pode dizer em que direção o Pinóquio correu?

- Fiquei muito assustada, não vi direito Só sei dizer que ele saiu da sala e foi para o quintal.

- Obrigado, Dona Ambrosina, disse Rica, e saiu rápido em direção à sala de artes. Os irmãos, mais as três colegas da Val, atrás dele ( " hoje a brincadeira de siga o chefe tem mais gente",pensou Nico).

Na sala de artes, Rica fez o que ele sempre chamava de pesquisazinha. Olhou em todos os lados, principalmente atrás do palco do teatrinho de fantoches e na bacia onde eles eram guardados. Dirigiu-se, depois,  às colegas da Val:

- Vocês sabem se alguém estava preparando alguma apresentação com os fantoches?

- É uma turma da sala B2- disse uma delas. Eles vão fazer um teatrinho no Dia das Crianças.

Rica saiu da sala de artes ( a turma atrás) à procura de  alguém da sala B2. 

 - Olha ali a Elininha! - apontou uma das amigas da Val. Ela é do grupo que está preparando o teatrinho.

Rica perguntou para Elininha quando o grupo tinha feito o último ensaio. Ela respondeu que tinha sido no dia anterior.

- E onde vocês colocaram os bonecos?

- Dentro da bacia de plástico, como sempre.

- E quem está ensaiando o papel do Pinóquio?

-É o Miguel Só Come. 

O Miguel tinha essa apelido porque vivia comendo alguma coisa. Uma hora era uma coxinha; outra hora, um pedaço de bolo, outra hora, pastel e assim por diante. O engraçado é que ele não era gordo.

Procuraram o Miguel Só Come e o encontraram saindo da cantina, comendo um sanduíche de queijo. 

- Miguel-perguntou Rica-você tem certeza que, depois do ensaio de ontem, colocou o boneco do Pinóquio dentro da bacia de plástico?

- Claro.A gente não pode levar as coisas da sala de artes para casa.

- Obrigado-disse Rica e fez a famosa cara de detetive inteligente: " Caso quase resolvido", resmungou.

 - Tenho só mais uma pesquisazinha pra fazer- disse aos demais. E saiu em direção ao muro que separava o quintal da escola do terreno baldio ao lado.E foram atrás dele não só os três irmãos e as três colegas da Val, mas também a Elininha e o Miguel Só Come.

Rica aproximou-se do muro, andou para um lado, para outro. Depois, foi em direção à árvore que ficava no meio do muro, entre os dois terrenos. Aí, voltou com um largo sorriso.

- Caso resolvido!

Todo mundo esperou que ele desse as explicações . Mas Rica não o fez. 

- Alguém vai chamar a Dona Ambrosina e  a irmã Sofia para virem aqui ouvir o que vou dizer.

Nico saiu correndo e logo voltou, acompanhado não só da  freira e  da faxineira, mas, também, de mais uns 10 alunos que o viram sair da cantina.

Reunida a pequena multidão em frente da árvore, Rica disse:

- O boneco está aqui.

Foi para o espaço entre a árvore e o muro, agachou-se e levantou com o PInóquio na mão!

Ouviu-se um grito " ooohhh"!  e todo mundo aplaudiu. Menos Dona Ambrosina, que deu dois passos para trás, com os olhos arregalados.

-Afastem isso de mim! É uma cosia enfeitiçada. Eu sei disso  porque vi este boneco correndo sozinho ( " será que vai ser preciso lhe dar mais água com açucar? ", pensou Nico. Se for,aí ela vai ficar diurética de uma vez").

Rica, com voz calma, se adiantou.

- Não tem nada enfeitiçado, Dona Ambrosina, acalme-se.

E deu a explicação.

- A senhora lembra dos esclarecimentos  que o professor Olavo deu sobre o saruê, que a senhora pensou que era um rato gigante? Pois bem: foi ele, vestido com corpo do fantoche, que a senhora viu..

- Isso é um absurdo! reagiu Dona Ambrosina. Só falta me dizer agora que o bicho fez isso só para me assustar de novo.

- Nada disso- rspondeu Rica. Descobri o que realmente aconteceu quando soube que era o Miguel Só Come quem ensaiava com o Pinóquio. Como todo mundo sabe, o Miguel vive comendo e suas mãos sempre estão cheirando a gordura, açucar, fritura, essas coisas. O cheiro delas ficou impregnado dentro do boneco. O saruê, procurando comida, o sentiu-, entrou na sala pelo vitrô e acbou indo fuçar dentro do Pinóquio, pensando que ali tinha comida.

- Então, quando eu entrei ele se assustou comigo?

- Pois é. E ele estava com a metade do corpo enfiada dentro do boneco. Não deu para sair a tempo e ele saiu correndo com o Pinóquio preso nele. A cabeça do fantoche funcionou como se fosse uma máscara. Se a senhora não tivesse ficado tão assustada, notaria que o Pinóquion correndo tinha quatro patas e  um rabo coprido. E o bicho só conseguiu se soltar quando chegou na entrada de sua toca. E foi ali que achei que poderia estar o boneco . E estava.

Mais aplausos para o Rica e desta vez a platéia era maior.

-Graças a Deus, meu filho, tudo ficou esclarecido-disse Dona Ambrosina. Ninguém estava acreditando na minha história e achando que eu estou maluca. Para falar a verdade, até eu  mesmo já estava começando a achar.

Resolvido o caso, os Lorenos voltaram para casa. Naquele dia nem teve aula por causa daquela confusão toda. E a fama deles, que já estava boa desde a história do teatro atrapalhado, ficou melhor  ainda com a solução do mistério do boneco que saiu correndo.


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