Quando o professor de História entrou na cantina da escola, ouviu dois gritos:
- É o Super-homem!
- É o
Batman!
Ele viu que os gritos
partiam de uma mesa onde estavam os irmãos Tom e Rica.
- Vocês estão brigando?-perguntou.
- Nâo- respondeu Tom. Apenas
estamos discutindo sobre quem é o melhor
dos heróis.
- É o Batman, claro- interrompeu
Rica.
- Já lhe disse que é o Super-Homem.Todo mundo sabe disso- afirmou Tom.
- Todo mundo quem? Perguntou
Rica.
O professor viu que aquela conversa ia longe.
- Por que a gente não faz
uma eleição para decidir quem é o preferido?
- Eleição? Como assim? indagou
Rica.
- Ora, quando se quer
decidir se alguém é o melhor, costuma-se fazer eleições. É assim que é
escolhido o presidente da República, o prefeito. O candidato que tiver mais
votos, é , sem dúvida, o preferido das pessoas para governar o País ou nossa
cidade. Isso se chama Democracia.
- Mas como vamos fazer uma
eleição para eleger o melhor herói? E quem vai votar? Perguntou Tom.
- Vamos fazer a votação aqui
na escola, entre os alunos. Eu cuido de organizar tudo.
Ficou combinado que a
eleição seria dali a três dias. Dois dias seriam para eles fazerem a campanha de seus candidatos. O
professor explicou que campanha é o trabalho dos candidatos para conseguirem
votos.
Os dois irmãos gostaram
daquela história.
- O Super-Homem vai ganhar
fácil. Todo mundo gosta dele- disse Tom.
- Você que pensa. Tenho muitos amigos e todos eles gostam do Batman- respondeu Rica.
Em casa, a discussão
continuou no quarto das crianças. Ao ouvir a falação, Vale e Nico entraram.
- Vocês não estão brigando,
né? Perguntou Nico, sempre mais curioso.
Rica e Tom explicaram tudo.
- Eu não gosto de nenhum
desses dois heróis- disse Nico.
- Por quê?- perguntou Tom. O
Super-Homem tem super-força, visão de raio-X, que lhe permite olhar através das
coisas; voa mais rápido que um avião e muito mais.
- Mas ele só tem isso por
que veio de outro planeta- rebateu Nico. É
a luz do nosso sol, que é
amarela, que lhe dá aqueles poderes. Lá no planeta dele , onde o sol é vermelho,
acho que ele é mais fraco que a Vale.
Vale que estava quieta,
acompanhando a conversa, fez uma cara de zangada. Nico completou:
- E tem aquela roupa
ridícula. Parece que ele está vestindo a cueca por cima das calças.
Foi a vez do Tom fazer cara
de zangado. Rica riu e perguntou:
- E por que você não gosta
também do Batman? Eu acho que ele é melhor porque faz muitas coisas incríveis
sem precisar ter super-força. É muito inteligente, rápido e luta bem. E o que
mais admiro nele é aquele jeito misterioso,
a máscara do morcego, a batcaverna, o batmóvel.
- Com aquela máscara ele
parece é um rato grande- contestou Nico. E nem luta sozinho. Precisa de um
amigo , o Robin, para ajudá-lo.
Tom e Rica sentiram logo que
se dependessem do voto de Nico, nenhum de seus heróis seria eleito. Vale resolveu
participar da conversa:
- Sabem... Eu acho que...
Mas os dois nem quiseram
ouvi-la.
- Olha Vale, esse negócio de
heróis não é assunto de menina. Vocês gostam é da Barbie, do Pequeno Pônei ,
que não são heróis- disse Rica.
Vale fez cara de zangada de
novo:
- Fiquem vocês sabendo que já
passei da idade de gostar da Barbie e do Pequeno Pônei. E não gosto mesmo
desses heróis bobocas de vocês. O que eu ia falar era outra coisa, mas não vou
falar mais.
E saiu pisando duro.
À noite, quando seu Lucas chegou
do trabalho, Rica pediu ao pai que ele lhe comprasse uma camiseta do Batman. Ele
contou a história das eleições dos heróis e disse que ia usar a camisa para
fazer campanha na escola.
- Bom, então vou comprar uma
camisa do Super-Homem para o Tom- disse seu Lucas.
No outro dia, todo mundo na
escola já sabia da eleição, pois o professor de História havia colocado
cartazes de cartolina na entrada do pátio, na cantina e nas salas de aula.
Tom e Lucas começaram a pedir votos para seus amigos. No final do
dia, cada um deles achava que ia ganhar. E ainda tinham mais um dia para fazer
campanha.
Os dias de campanha passaram
e chegou o dia da eleição. Os alunos deveriam escrever o nome de seu herói
preferido em um papel e colocar em uma caixa de papelão que ficava na cantina.
A contagem dos votos seria feita pelo professor de História e pela professora
de Artes, na cantina mesmo e na frente de todo mundo.
Tom e Rica haviam feito uma aposta: se o Super-Homem ganhasse, o Rica teria, como castigo de perdedor, de ficar uma semana usando a camiseta do
Super-Homem. E se o Batman ganhasse, o Tom teria de ficar uma semana vestindo a
camiseta do Batman.
Na hora da contagem dos
votos, a expectativa era grande. O professor de História tirava o voto da caixa
e lia em voz alta. A professora de Artes anotava em um papel.Na leitura do
primeiro voto, todo mundo caiu na gargalhada. Era para a Mulher Maravilha,
aquela heroína que usa um laço encantado para combater os bandidos.
O segundo voto, também.
Mas o terceiro foi para o
Super-Homem, o quarto para o Batman e começaram os gritos de torcida. Mas o
quinto e o sexto votos foram para a Mulher Maravilha.
E aí a situação começou a ficar
estranha. Era um voto para o Homem Morcego, um para o superforte e dois para a
Mulher Maravilha. E, no final, a grande surpresa: a Mulher Maravilha ganhou,
ficando o Batman e o Super Homem empatados em segundo lugar.
Tom e Rica só entenderam o
que tinha se passado quando viram as meninas gritando e comemorando. Elas é que
tinham garantido a vitória da super-heroína.
De volta para casa, irritados,
eles, que haviam passado os últimos dias como adversários, tornaram-se aliados.
Ficaram analisando,juntos, a situação.
- Na campanha toda, ninguém
falou em Mulher Maravilha. As disputa era só entre o Super Homem e o Batman-
disse Rica. Como é que aquela heróina mixuruca apareceu nessa história?
Entraram em casa com ares
preocupados, quando deram de cara com a Vale,que olhava para eles com ar de gozação.
- Você tem alguma coisa a
ver com o que aconteceu? Perguntou Tom.
- Mas é claro- respondeu Vale.
Enquanto vocês ficavam como dois patetas, usando aquelas camisetas ridículas,
conversando com seus amigos, eu falava com as meninas. Pedia para elas votarem
na Mulher Maravilha. Uma coisa que vocês não prestaram atenção é que a escola
tem mais meninas do que meninos.Por isso, nós ganhamos.
- Mas nós não vimos campanha
nenhuma pela Mulher Maravilha. Ninguém pedia voto para ela- disse Rica.
- É porque eu pedi segredo para todas elas. A gente queria fazer uma surpresa e fizemos. Nós mulheres não temos super-força mas temos super-inteligência- concluiu Vale. E saiu, rindo.
Nico , que até ali estava
calado, resolveu dar seu palpite.
- Eu acho que vocês dois não
deviam ficar muito tristes.As coisas não foram tão ruins assim.
- Por
que? -perguntou Tom, já esperando uma gozação.
- Ora,
vocês não fizeram nenhuma aposta com a Vale. Senão, iam ficar uma semana usando
roupa de Mulher Maravilha.

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