terça-feira, 20 de maio de 2025

A ELEIÇÃO DOS HERÓIS








 

 

Quando o professor de História entrou na cantina da escola, ouviu dois gritos:

- É o Super-homem!

- É o Batman!                                                          

Ele viu que os gritos partiam de uma mesa onde estavam os irmãos Tom e Rica.

- Vocês estão brigando?-perguntou.

- Nâo- respondeu Tom. Apenas estamos discutindo sobre quem é o  melhor dos heróis.

- É o Batman, claro- interrompeu Rica.

- Já lhe disse que é o Super-Homem.Todo mundo sabe disso- afirmou Tom.

- Todo mundo quem? Perguntou Rica.
O professor viu que aquela conversa ia longe.

- Por que a gente não faz uma eleição para decidir quem é o preferido?

- Eleição? Como assim? indagou Rica.

- Ora, quando se quer decidir se alguém é o melhor, costuma-se fazer eleições. É assim que é escolhido o presidente da República, o prefeito. O candidato que tiver mais votos, é , sem dúvida, o preferido das pessoas para governar o País ou nossa cidade. Isso se chama Democracia.

- Mas como vamos fazer uma eleição para eleger o melhor herói? E quem vai votar? Perguntou Tom.

- Vamos fazer a votação aqui na escola, entre os alunos. Eu cuido de organizar tudo.

Ficou combinado que a eleição seria dali a três dias. Dois dias seriam para  eles fazerem a campanha de seus candidatos. O professor explicou que campanha é o trabalho dos candidatos para conseguirem votos.

Os dois irmãos gostaram daquela história.

- O Super-Homem vai ganhar fácil. Todo mundo gosta dele- disse Tom.

- Você que pensa. Tenho muitos amigos e todos eles gostam do Batman- respondeu Rica.

 

Em casa, a discussão continuou no quarto das crianças. Ao ouvir a falação, Vale e Nico entraram.

- Vocês não estão brigando, né? Perguntou Nico, sempre mais curioso.

Rica e Tom explicaram tudo.

- Eu não gosto de nenhum desses dois heróis- disse Nico.

- Por quê?- perguntou Tom. O Super-Homem tem super-força, visão de raio-X, que lhe permite olhar através das coisas; voa mais rápido que um avião e muito mais.

- Mas ele só tem isso por que veio de outro planeta- rebateu Nico. É  a luz do nosso  sol, que é amarela, que lhe dá aqueles poderes. Lá no planeta dele , onde o sol é vermelho, acho que ele é mais fraco que a Vale.

Vale que estava quieta, acompanhando a conversa, fez uma cara de zangada.  Nico completou:

- E tem aquela roupa ridícula. Parece que ele está vestindo a cueca por cima das calças.

Foi a vez do Tom fazer cara de zangado. Rica riu e perguntou:

- E por que você não gosta também do Batman? Eu acho que ele é melhor porque faz muitas coisas incríveis sem precisar ter super-força. É muito inteligente, rápido e luta bem. E o que mais admiro nele é aquele jeito  misterioso, a máscara do morcego, a batcaverna, o batmóvel.

- Com aquela máscara ele parece é um rato grande- contestou Nico. E nem luta sozinho. Precisa de um amigo , o Robin, para ajudá-lo.

Tom e Rica sentiram logo que se dependessem do voto de Nico, nenhum  de seus heróis seria eleito. Vale resolveu participar da conversa:

- Sabem... Eu acho que...

Mas os dois nem quiseram ouvi-la.

- Olha Vale, esse negócio de heróis não é assunto de menina. Vocês gostam é da Barbie, do Pequeno Pônei , que não são heróis- disse Rica.

Vale fez cara de zangada de novo:

- Fiquem vocês sabendo que já passei da idade de gostar da Barbie e do Pequeno Pônei. E não gosto mesmo desses heróis bobocas de vocês. O que eu ia falar era outra coisa, mas não vou falar mais.

E saiu pisando duro.

 

À noite, quando seu Lucas chegou do trabalho, Rica pediu ao pai que ele lhe comprasse uma camiseta do Batman. Ele contou a história das eleições dos heróis e disse que ia usar a camisa para fazer campanha na escola.

- Bom, então vou comprar uma camisa do Super-Homem para o Tom- disse seu Lucas.

No outro dia, todo mundo na escola já sabia da eleição, pois o professor de História havia colocado cartazes de cartolina na entrada do pátio, na cantina e nas salas de aula.

Tom e Lucas começaram  a pedir votos para seus amigos. No final do dia, cada um deles achava que ia ganhar. E ainda tinham mais um dia para fazer campanha.

Os dias de campanha passaram e chegou o dia da eleição. Os alunos deveriam escrever o nome de seu herói preferido em um papel e colocar em uma caixa de papelão que ficava na cantina. A contagem dos votos seria feita pelo professor de História e pela professora de Artes, na cantina mesmo e na frente de todo mundo.

 Tom e Rica haviam feito uma aposta:  se o Super-Homem ganhasse, o Rica  teria, como castigo de perdedor,  de ficar uma semana usando a camiseta do Super-Homem. E se o Batman ganhasse, o Tom teria de ficar uma semana vestindo a camiseta do Batman.

Na hora da contagem dos votos, a expectativa era grande. O professor de História tirava o voto da caixa e lia em voz alta. A professora de Artes anotava em um papel.Na leitura do primeiro voto, todo mundo caiu na gargalhada. Era para a Mulher Maravilha, aquela heroína que usa um laço encantado para combater os bandidos.

O segundo voto, também.

Mas o terceiro foi para o Super-Homem, o quarto para o Batman e começaram os gritos de torcida. Mas o quinto e o sexto votos foram para a Mulher Maravilha.

E aí a situação começou a ficar estranha. Era um voto para o Homem Morcego, um para o superforte e dois para a Mulher Maravilha. E, no final, a grande surpresa: a Mulher Maravilha ganhou, ficando o Batman e o Super Homem empatados em segundo lugar.

Tom e Rica só entenderam o que tinha se passado quando viram as meninas gritando e comemorando. Elas é que tinham garantido a vitória da super-heroína.

De volta para casa, irritados, eles, que haviam passado os últimos dias como adversários, tornaram-se aliados. Ficaram  analisando,juntos, a situação.

- Na campanha toda, ninguém falou em Mulher Maravilha. As disputa era só entre o Super Homem e o Batman- disse Rica. Como é que aquela heróina mixuruca apareceu nessa história?

                                                                                                                             

Entraram em casa com ares preocupados, quando deram de cara com a Vale,que olhava para eles com ar de gozação.

- Você tem alguma coisa a ver com o que aconteceu? Perguntou Tom.

- Mas é claro- respondeu Vale. Enquanto vocês ficavam como dois patetas, usando aquelas camisetas ridículas, conversando com seus amigos, eu falava com as meninas. Pedia para elas votarem na Mulher Maravilha. Uma coisa que vocês não prestaram atenção é que a escola tem mais meninas do que meninos.Por isso, nós ganhamos.

- Mas nós não vimos campanha nenhuma pela Mulher Maravilha. Ninguém pedia voto para ela- disse Rica.

- É porque eu pedi segredo para todas elas. A gente queria fazer uma surpresa e fizemos. Nós mulheres não temos super-força mas temos super-inteligência- concluiu Vale. E saiu, rindo.

Nico , que até ali estava calado, resolveu dar seu palpite.

- Eu acho que vocês dois não deviam ficar muito tristes.As coisas não foram tão ruins assim.

- Por que? -perguntou Tom, já esperando uma gozação.

- Ora, vocês não fizeram nenhuma aposta com a Vale. Senão, iam ficar uma semana usando roupa de Mulher Maravilha.

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